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10月15日 a ventania Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de
nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha
cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha
cara. (E. Galeano) fazia tempo, muito tempo, que eu não me sentia tão bem na minha própria pele. simples assim. (deve ser meu presente pra mim. que se mantenha...) 10月13日 ponto a ponto "- Vem cá, meu fio - falou. E ele era mesmo seu fio, seu filho nascido de um pontinho, ponto feito de dois pontos, de homem e mulher, vida nova em ponto novo, pronto para a imensidão. Por um fio alimentado, dentro de um rio guardado, meses junto ao coração." coisa linda de se ler/ver, essa Ana Maria Machado. e coisa boa perceber que a hora de dormir continua sendo o nosso momento mágico. 10月11日 wishlist poucas. bem poucas coisas na lista desse ano. primeira delas e talvez, a mais relevante: tolerância. 10月7日 constatação de [mais] uma noite insone. ou: da revisão báááásica de ano novo. se eu fosse um pouquinho, mas só um tiquinho mais inconsequente, eu muito provavelmente seria uma pessoa muitomuitomuitomuito mais feliz. ou pelo menos, dormiria melhor, teria menos cabelos brancos, menos rugas e essas coisas todas. que novidade. 10月1日 armadura+essência vergonha; auto-piedade; inveja de mim mesma. voltei aqui, depois de 5 longos meses. 5 meses. o que cabe nesse tempo? muito. muitomuitomuito. e nada. cabem várias de mim, e uma que nem sou mais eu. será? deu vontade de deletar. tudo. depois, deu vontade de ler. e reler. de novo. e de novo. aí cheguei lá. em 2005. quando eu era colorida, e citava até Martha Medeiros (!!!). engraçado foi que, quando cheguei lá, já não sentia mais vergonha. nem inveja. muito menos pena. me deu foi saudade. quando eu volto a ser aquela? acho que já voltei e já saí de mim várias vezes. acho que já abdiquei e reinaugurei vários dos meus "autos". agora sou eu. só. e quero parar de brigar comigo. tou cansada dessa brincadeira. pro recomeço, se é que isso existe, os caras que perdi ao vivo, mas ouvi ao telefone graças aos meus queridos. os caras que me ajudaram a dizer, quando foi hora de falar da saudade. e depois, quando foi hora de acabar o que eu nem sei como ou onde comecei. os caras. os caras. A poesia prevalece!!! O primeiro senso é a fuga. Bom... Na verdade é o medo. Daí então a fuga. Evoca-se na sombra uma inquietude uma alteridade disfarçada... Inquilina de todos nossos riscos... A juventude plena e sem planos... se esvai O parto ocorre. Parto-me. Aborto certas convicções. Abordo demônios e manias Flagelo-me Exponho cicatrizes E acordo os meus, com muito mais cuidado. Muito mais atenção! E a tensão que parecia não passar, “O ser vil que passou pra servir... Pra discernir...” Pra pontuar o tom. Movimento, som Toda terra que devo doar! Todo voto que devo parir Não dever ao devir Não deixar escoar a dor! Nunca deixar de ouvir... com outros olhos! (Amadurecência - O Teatro Mágico) porque tá chegando aquela época do ano. e nesse ano, com um significado antropológico, cabalístico, intaurador e restaurador instituído. HEH e que venga! 5月5日 ví[S|c|ERÁS]?Não falo, e quando o faço, a voz que sai não é a minha.
Sufoco, engasgo, engulo. Penso que os assobios se fazem por me entender. Ou pra me dizer.
Quando cuspo alguma coisa, não é o que sinto que brota. Muito menos o que penso.
Estou me virando do avesso. E o que regurgito é uma outra coisa.
Não a conheço. Nem reconheço, em mim, o que absorvo.
Nem frio, nem quente, nem morno.
Insípido e inodoro, é o que vomito. E o que devoro? 4月26日 [o]fende-se(deixa brotar...)
e quando o que antes, sólido e duro,
empena, abre e quebra; é por ali que entra,
é por ali que se esgueira,
é por ali que escorre e completa
repleta, a luz que expõe e revela; o calor que preenche e espera
e o que era oco, não é mais...
(...pela fenda aberta) 3月9日 "...da primeira vez que procurou abrigo na do outro" Quem passa por aqui deve ter percebido que, faz um tempo, as palavras não são minhas. Cito, recito e referencio quem diz melhor, por mim. Mas não ando muda. Acho que não. É, as certezas não costumam me habitar, comumente. Nos últimos tempos, então, elas parecem brincar de esconder comigo a todo instante. Engraçado é que tenho me divertido com a brincadeira... Mas sobre as palavras, as always. Elas não me abandonaram. Estão direcionadas, contudo. Tem um fim específico, um destino certo, que parece aceitá-las e degustá-las com quase tanta vontade quanto a que eu tenho, ao emiti-las. E isso assusta. Tanta convergência, tanta sintonia, tanta vontade em comum, quase me congela. E eu lembro de quantas e quantas vezes na minha vida fugi desse tipo de situação. Inventei desculpas, disfarcei intenções, me equivoquei nas escolhas quase que propositalmente. Eu rio de mim mesma ao perceber que agora, trilho o caminho oposto. Conscientemente, e com toda a disposição. Cérebro, coração, corpo, que sempre brigaram - travaram mesmo imensas batalhas - chegaram a um acordo sem qualquer divergência prévia. Ok, talvez algumas. Mas logo superadas. E o medo que sempre tive, deu lugar a essa vontade de compartir. De rumar, ainda, mas pra um lugar em comum. Falei nisso, há pouco tempo e vários de vocês ouviram... Sobre aquela sensação de sentir-se em casa, como há anos não me sentia, fora de mim. Não preciso mais ser arisca ou me esconder atrás da porta. E o que é isso? Não quero dar nomes. Não preciso, realmente. Deixo que outros sinais marquem o que não ouso dizer. Mas aí, vem a Fabiana, de novo, e diz. Não fui eu, viram? Foi ela. ... De modo que por bastante tempo eu achava que não levava jeito pra viver. Pelo menos não essa vida de todo dia, os milhões de tarefinhas e pequenas chateações que a gente toma como medida de virar gente grande. Eu achava, do ponto de vista de quem sonha, que dava pra vida ser outra coisa. Apesar disso - ou por isso mesmo - aprendi a (...) não planejar ou esperar demais, enfim, a deixar espaço pro imprevisível da vida. Por isso não me via refletida nessa imagem do romantismo excessivo: quer coisa mais real do que o imprevisível? E de imprevisível em imprevisível, conciliando projetos de prazo maior ou menor com paixões arrebatadoras, cá estou. Não sei se perto ou longe do que tinha sonhado pra mim porque no meio do caminho houve (e há) o desejo, e o desejo faz do sonho um barro ao qual a gente dá nova forma. Não tenho um ideal para atingir; pra mim me basta me sentir confortável debaixo da minha pele. Não o clímax irrepetível dos grandes acontecimentos, mas a coleção de pequenas e grandes alegrias. Um olhar tão intenso que se imprimiu no corpo indelevelmente. A mão que relembra o calor da primeira vez que procurou abrigo na do outro. Os ouvidos que ecoam o som da gargalhada distraída do filho assistindo TV. Chegar à noite e perceber que mais um dia passou, sem grandes sobressaltos, mas pleno da graça de termos sobrevivido juntos a ele. As alegrias espalhadas por dentro do corpo, bolhas frágeis de sabão, tão frágeis quanto a gente mesmo que dói e goza porque é de carne e osso. E a Fabiana completa, ainda, com palavras que eu poderia cantar, indefinidamente. Juro: "Estou me acostumando comigo/ revendo a casa, os vizinhos/ e os vazamentos e isso já não me assusta mais..." Não me assusta mais. Juro que não. 2月26日 contando semanas e saudadesé, 2009 tem se apresentado nesses combos. acho que daria pra dividi-lo por essas oito semanas que já passaram.
stress, planos, realizações, festas, desgraça, expectativa. teve a semana-mais-fantástica-de-que-tenho-recordação e teve a espera infinita.
pelo jeito, os dias continuarão a ser contados pelas semanas, que vou torcer pra que passem voando, de duas em duas, ou três em três, ou...
se alguém me dissesse, no fim de 2008, que 2009 começaria assim, tão intenso, eu não acreditava.
ainda bem que coisas inacreditáveis acontecem.
e... a partir de agora, as quintas-feiras são minhas terças-feiras. os dias D. são sim.
citando meu caro colega de trabalho Pablito, em sua última crônica:
A saudade em mim é feita tanta, tonta: ternuras. Travessia em mim, a saudade, caminho, derrama-se. As estrelas vêm iluminar-me o sentir, o sentido. O que escrevo, no entanto, quase não é vida - são somente palavras, poucas, pobres, e seus arranjos, desajeitadas combinações. E tudo o que digo talvez não cante como quero em ouvidos alheios. De meu, tudo o que mostro e tenho só tem sentido e rosto em mim. E de mim, depois. Depois? [Pablo Rodrigues, em Das coisas perdidas (e seus outros subtítulos)] 2月10日 sempre tem quem diga melhor que eudessa vez, foi a Fabiana. ela fala bonito, também.
e sobre esse assunto pertinente que são os serzinhos que a gente joga nessa vida louca. e na preocupação que também é minha, de até onde levar pela mão, e a partir de quando sentar e observar...
"E esse era outro assunto sobre o qual eu ia escrever: sobre a importância de, de vez em quando, ao invés de andar apenas para frente, andar pros lados, andar em círculos, andar de volta pra trás. Andar sem pressa. Sem preocupação excessiva com o rumo ou a chegada. Ia falar disso em relação à diferença que percebo no humor do Rô quando saímos correndo para ir à escola, meio no atropelo, no carro etc. em relação a quando vamos ou voltamos caminhando. Nós dois, de mãos dadas, prestando atenção ao trânsito, mas também às flores, às pedras, aos passarinhos. Voltando para rever algo que pareceu interessante... O tempo se distende, a gente se distende. Pronto. Uma bobagem assim e a vida ficou mais larga. Também tem outro sentido, tentar andar sem pressa. Na educação dos pequenos, andar sem pressa é não ter medo dos retornos e "recaídas", não achar que só porque os serzinhos alcançaram um degrau, têm que permanecer ali. É dar liberdade de ir e voltar. Porque eles crescem dando voltas em torno da gente, dando voltas cada vez maiores e longas - desde que tenham a certeza de que estamos ali, de que podem ir-voltar e nós vamos estar com os braços abertos." 1月22日 dessa vez, foi covardia.É. A Cris me fez chorar no meio da redação. Você vai aprender, filho. Que a intensidade pode roubar você de si mesmo. Que é preciso leveza para se pertencer. Você vai aprender a se distrair no meio do caminho – para ter o privilégio de errar. Vai aprender que as descobertas estão nos atalhos. E que é preciso alcançar o escuro denso para estar diante de todas as possibilidades. Você vai aprender a se deitar noite escura e amanhecer ensolarado. E vai entender que na perda mora o verdadeiro começo. Talvez você leve meia vida para isso. Talvez mais, como eu. Mas até lá, olha que sorte: eu vou estar segurando a sua mão. 1月18日 ...e assim minhas mãos saberão dos meus pés"Largar esse cais, ir sem direção
seguir os ventos que clamam por mim. Tecer minhas teias com minhas mãos sugar das entranhas desse chão meu fim digladiar com os dois de mim ser o São Jorge do meu dragão dividir meus segredos com árvores e minhas verdades com o céu. Trilhar as estradas que não trilhei romper as portas trancadas por mim e assim minhas mãos saberão dos meus pés e assim renascer. E assim renascer" (Altay Veloso, sobre música de Saint-Saenz). Tirei daqui. 1月9日 Das convergências (ou coincidências, ou...)E tem a Cris, que é essa moça linda que usa roupas lindas e escreve bem pra caramba. A Cris tá bombando, com livro publicado e blog citado em diferentes mídias e publicações. Inclusive, em breve, no nosso singelo DP. Eu a descobri através da Sam, com o Hoje vou assim. Mas me encantei de verdade verdadeira foi com o Para Francisco, blog que ela escreve pro filho. A história tá lá, pra quem quiser ler e se encantar. Fato é que essa coisa do tempo, e da pressa, e da vontade (ou falta de) mudar as coisas é uma atucanação constante pra criatura aqui. Os poucos que aqui me visitam bem sabem. E recentemente, além de citar meu caaaaro Tom e suas águas de março, a Cris disse tudo. Ou quase. Escrever é meu respiro, é quando tomo o ar para novos vôos – por mais rápido que voe, o avião parece flutuar entre as nuvens, essa ilusão de tempo e de espaço que nos dá a dica: a vida é tal e qual. A vida é provocação. Se um dia me grita que é curta, manda em seguida a mensagem de que é preciso saber esperar. Avança e recua, oferece e retira, para nos medir, não a força, mas a capacidade de brincar. (...) Não importa o quão irritante isso tudo me pareça. Nada vai mudar o fato de que não se toca o tempo com a mão. Não posso empurrá-lo ou puxá-lo, ele não vai nem vem, não pode que lhe sejam. Admito, tenho pressa. Mas é pressa de chegar em casa e finalmente descansar. Pressa de ter calma. Pressa e sempre inimiga. É que nessa correria feia, por mais vezes me perco no caminho, sem conseguir chegar. É isso aí, gente. É BEM ISSO aí. 1月7日 Femin[ist]aSe te pareço noturna e imperfeita Olha-me de novo. Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. E era como se a água desejasse Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há tanto tempo Entendo que sou terra. (Hilda Hilst) * * * E eu tenho lido muito a Simone de Beauvoir... * * * A citação da Hilst, tirei do mesmo blog que, além do sugestivo nome de Noturnos imperfeitos, tem ótimos textos. Como este: Às vezes acontece da gente chamar "amor" ao que é uma espécie de comédia de erros. Quando a paixão brota de desentendimentos e erros de interpretações. Não é que não seja de verdade: é só que o interesse no outro surge daquilo que a gente imagina, fantasia ou simplesmente torce para ser verdade. Mas também às vezes, embora mais raramente, a gente chama "amor" ao que é encontro, reconhecimento imediato e acerto. * * * E eu IA postar um texto que eu escrevinhei aqui. Mas perdi a coragem, depois dessas referências compartilhadas. :) 1月2日 with hopes of better days to comeA finger's touch upon my lips
It's a morning yearning Pull the curtains shut, try to keep it dark But the sun is burning The world awakens on the run And will soon be earning With hopes of better days to come It's a morning yearning Another day, another chance to get it right Must i still be learning Baby crying kept us up all night With her morning yearning Like a summer rose, i'm a victim of the fall But am soon returning Your love's the warmest place the sun ever shines My morning yearning (Ben Harper - Morning yearning)
E que 2009 seja generoso com cada um de vocês, meus queridos. :) 12月20日 RetrôApesar da opção por evitar retrospectivas quando o meu novo ano começou, elas agora me parecem inevitáveis.
Talvez por ter passado os últimos dias trabalhando na retrô do jornal. Talvez por essa melancolia que acompanha sempre - e cada vez mais - essa época do ano...
Talvez por pensar, aliviada, que esses dois últimos meses, ou os dois primeiros do meu ano, tenham mudado um pouco o balanço total de 2008.
Porque vou te dizer um negócio, tá aninho bem desgraçado esse.
2008 foi o ano da confirmação de clichês. Vários deles.
Começamos legitimando a máxima de que gostar é a menor parte do que realmente importa numa relação. Ou numa possível relação.
Enfim, gostar é o que menos importa. Todo o resto do contexto pode atrapalhar - e muito - até a mais confirmada das interações interpessoais.
Em seguida foi a vez de aprender - de maneira didática e rica em exemplos - que se demora muito tempo pra confiar em alguém e apenas alguns poucos minutos para perder totalmente essa confiança.
Esse foi o mais duro dos clichês confirmados. Porque, das poucas crenças que tenho, nessa vida, a maior delas sempre foi nas pessoas. Por um bom número de pessoas à minha volta, sempre fui capaz de fazer o que fosse preciso. E nelas depositava toda a minha confiança. Foi meio... chato perceber que a recíproca não era verdadeira, com alguns anos de delay. Sorte é que tem umas criaturas aí que compensam todas as outras, e dessas quero ficar mais e mais perto, sempre. Elas me fizeram superar o "trauma de aprendizagem".
Mas aí veio o maior dos clichês, se sentar bem ali no sofá da sala pra me fazer companhia.
De perto, e de nem tão perto assim, ninguém é normal. NINGUÉM.
Muito menos eu. A maneira como a gente afeta e é afetado pelos outros não é um fator controlável. E isso pode gerar muitas e complexas conseqüências.
E a coerência definitivamente se mudou pra bem longe de mim, em 2008. Na verdade, parece que se mudou pra bem longe de quase todo mundo que eu conheço. Taí ano que embaralhou de maneira bem drástica a vida dos que me cercam. Pro bem e pro mal. Foi um tal de perder os referenciais, se perder e tentar se achar de novo. Foi um ano pra aprender. Aprendi muito nos quase 6 meses que passei dentro de mim, mais do que em qualquer outro lugar. Aprendi, principalmente, sobre o que não quero mais.
Não quero mais deixar de sentir. Não quero mais deixar de fazer. Não quero mais desacreditar de mim. Ou dos outros. Não quero mais esperar por dias iguais. Também não quero mais sonhar com o que não posso ter. Não quero esperar demais, mas também não quero perder as esperanças. Não quero mais.
Clichê atrás de clichê. Tou legal deles. E também tou legal de inconstância e incerteza e desmotivação.
Só tem mais uma máxima que eu quero que se confirme, essa com todas as forças. Que em 2009, depois da tempestade, venha a bonança. 11月29日 "What do you think is going on?""I feel too much. That's what's going on." "Do you think one can feel too much? Or just feel in the wrong ways?" "My insides don't match up with my outsides." "Do anyone's insides and outsides match up?" "I don't know. I'm only me."
Eu amo o Oskar Schell. |
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