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Ana, a desastrada

February 08

sabe...

... quando dá vontade de gritar na fuça de alguém, olhando no olho:

- FALA COMIGO, P*%#A!!?!?!

então. pois é.

(sacudidas podem ser extremamente salutares. eu ainda creio nisso.
pena que tenha perdido a coragem de ministrá-las...)
January 28

\o/

só vim aqui comentar, porque este é um MOMENTO.

recomecei a fazer palavras cruzadas. e garimpar a estante de livros da sala.
sabem o nome disso?

tempo livre
e
cuca fresca.

há!
January 25

p.s.

é. no matter what, eu não deixo de ser prolixa. nunca.

"Quando você para de apostar, não perde o jogo"

Então, agora há pouco coloquei as meninas na cama.
Duda e uma amiguinha estão "fazendo acampamento" e até alguns minutos atrás eu podia ouvir as risadinhas e gritinhos empolgados.
Fiquei tentando pensar em qual foi a última vez em que senti alguma coisa parecida com aquela empolgação, aquela alegria por tudo e por nada.

Lembrei de vários momentos assim, mas a grande maioria deles já faz tanto tempo, mas tanto, que eu mal sei situar em espaço e tempo.
Mas sabe o que? Essa constatação trouxe outra, junto com ela.
A de que, na maior parte do tempo, ao longo dos últimos anos, eu tentei arduamente manter as low expectations. Não que isso tenha me livrado de decepções ou de muitos planejamentos tortos. Mas muitas vezes, eu simplesmente escolhi deixar de acreditar. Perdi a fé, mesmo. Me tornei mais cética, mais árida. Pra várias coisas, em diversas situações. E em muuuitas dessas situações, me orgulhei genuinamente disso.

Enfim.

O final de semana mais peculiar dos últimos anos acaba de terminar. Até abri uma garrafa de vinho (presente do meu caro Dieguinho nos meus 30) pra celebrar esse momento. Não, não fiz nada inédito, a não ser ter ficado durante 5 horas trancada na rua, depois de bater a porta com a chave pelo lado de dentro. Vi amigos, celebrei conquistas, mas isso eu faço, comumente. E é uma das coisas que me preenche.
Mas eu estive comigo, nesses últimos dias. E com minha filha. E com meus pensamentos, minhas vontades, meus medos. Com as minhas perguntas e com as dela. E foi bem bom, sabe?
Foi divertido, foi dolorido. Foi importante.
Porque nesses dias, eu tomei decisões. E eu fiz planos. Sim!
Não foram muitos, confesso. Mas foram relevantes. Foram meus, comigo. E ninguém além de mim vai cobrá-los.
Não foram do tipo que eu alardeio aqui, há tanto tempo. Porque parece que o que tinha que acontecer, lá fora, já aconteceu. Faltava mesmo é eu movimentar as coisas aqui dentro.
E agora, vendo uma dessas comédias românticas bobas, em que o protagonista soltou aquela pérola ali do título, eu percebi.
Percebi que eu perdi o medo. O medo mais profundo que me habitava, o medo de perder.
E eu decidi que isso é o que menos importa. Que eu perca dez vezes. Que caia vinte. Mas eu não vou mais me privar do prazer de jogar.
Porque cara, eu já devia ter entendido há eras. Aquela vez, aquela vezinha só em que a gente ganha, ela vale tanto. Mas TANTO...

Então, agora, eu vou fazer como diz o Weezer naquela música que eu não ouço há anos, mas que também voltou, enquanto os créditos do filme subiam, como parte da trilha:
"If you want it, you can have it
But you've got to learn to reach out there and grab it
(...)
If you need it, you should show it
'Cause you might play so monastic that you blow it..."


January 24

Retrato [pra Iaiá]

Iaiá, se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade.
Pois é que assim, em ti, eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei.

Depois de ter vivido o óbvio utópico
te beijar
e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural
Eu fui praí te ver, te dizer:

Deixa ser.
Como será quando a gente se encontrar ?
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar.
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã.
Fui saber tão longe
mesmo você viu antes de mim
que eu te olhando via uma outra mulher.
E agora o que sobrou:
Um filme no close pro fim.

Num retrato-falado eu fichado
exposto em diagnóstico.
Especialistas analisam e sentenciam:
Oh, não!

Deixa ser como será.
Tudo posto em seu lugar.
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.

Deixa ser.
Como será.
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.

Podia ser Todo carnaval tem seu fim. Podia ser Último romance. Podia ser até Sentimental.
É. tou naquelas épocas. De poucas palavras minhas e muitas músicas cantaroladas. Época em que eu calo as minhas pra não dizer. Demais. Pra mim. Mesma. AFFE!

January 21

mais do mesmo

(...)
E então são tragos, muitos estragos, por toda a noite
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho

Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será (...)


(...)
Faziam planos e nem sabiam que eram felizes
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho

Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será (...)
(Desgarrados - Victor Hugo)

(ainda: do que me preenche e é melhor deixar correr... como os sonhos.)

January 18

das caixas vazias [ou cheias]

ou: deixando transbordar reservatórios
[pra que se movam os motores]

Ela perambula pelo mercado de sonhos. As vendedoras estenderam sonhos sobre grandes panos no chão.
Chega ao mercado o avô de Juana, muito triste porque faz muito tempo que não sonha. Juana o leva pela mão e ajuda-o a escolher sonhos, sonhos de marzipãs ou algodão, asas para voar dormindo, e vão-se embora os dois tão carregados de sonhos que não haverá bastante noite.
(Um sonho de Juana. Eduardo Galeano. Memória do Fogo, vol.1)
 
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Ana Bandeira

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