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Ana, a desastradaMay 05 ví[S|c|ERÁS]?Não falo, e quando o faço, a voz que sai não é a minha.
Sufoco, engasgo, engulo. Penso que os assobios se fazem por me entender. Ou pra me dizer.
Quando cuspo alguma coisa, não é o que sinto que brota. Muito menos o que penso.
Estou me virando do avesso. E o que regurgito é uma outra coisa.
Não a conheço. Nem reconheço, em mim, o que absorvo.
Nem frio, nem quente, nem morno.
Insípido e inodoro, é o que vomito. E o que devoro? April 26 [o]fende-se(deixa brotar...)
e quando o que antes, sólido e duro,
empena, abre e quebra; é por ali que entra,
é por ali que se esgueira,
é por ali que escorre e completa
repleta, a luz que expõe e revela; o calor que preenche e espera
e o que era oco, não é mais...
(...pela fenda aberta) March 09 "...da primeira vez que procurou abrigo na do outro" Quem passa por aqui deve ter percebido que, faz um tempo, as palavras não são minhas. Cito, recito e referencio quem diz melhor, por mim. Mas não ando muda. Acho que não. É, as certezas não costumam me habitar, comumente. Nos últimos tempos, então, elas parecem brincar de esconder comigo a todo instante. Engraçado é que tenho me divertido com a brincadeira... Mas sobre as palavras, as always. Elas não me abandonaram. Estão direcionadas, contudo. Tem um fim específico, um destino certo, que parece aceitá-las e degustá-las com quase tanta vontade quanto a que eu tenho, ao emiti-las. E isso assusta. Tanta convergência, tanta sintonia, tanta vontade em comum, quase me congela. E eu lembro de quantas e quantas vezes na minha vida fugi desse tipo de situação. Inventei desculpas, disfarcei intenções, me equivoquei nas escolhas quase que propositalmente. Eu rio de mim mesma ao perceber que agora, trilho o caminho oposto. Conscientemente, e com toda a disposição. Cérebro, coração, corpo, que sempre brigaram - travaram mesmo imensas batalhas - chegaram a um acordo sem qualquer divergência prévia. Ok, talvez algumas. Mas logo superadas. E o medo que sempre tive, deu lugar a essa vontade de compartir. De rumar, ainda, mas pra um lugar em comum. Falei nisso, há pouco tempo e vários de vocês ouviram... Sobre aquela sensação de sentir-se em casa, como há anos não me sentia, fora de mim. Não preciso mais ser arisca ou me esconder atrás da porta. E o que é isso? Não quero dar nomes. Não preciso, realmente. Deixo que outros sinais marquem o que não ouso dizer. Mas aí, vem a Fabiana, de novo, e diz. Não fui eu, viram? Foi ela. ... De modo que por bastante tempo eu achava que não levava jeito pra viver. Pelo menos não essa vida de todo dia, os milhões de tarefinhas e pequenas chateações que a gente toma como medida de virar gente grande. Eu achava, do ponto de vista de quem sonha, que dava pra vida ser outra coisa. Apesar disso - ou por isso mesmo - aprendi a (...) não planejar ou esperar demais, enfim, a deixar espaço pro imprevisível da vida. Por isso não me via refletida nessa imagem do romantismo excessivo: quer coisa mais real do que o imprevisível? E de imprevisível em imprevisível, conciliando projetos de prazo maior ou menor com paixões arrebatadoras, cá estou. Não sei se perto ou longe do que tinha sonhado pra mim porque no meio do caminho houve (e há) o desejo, e o desejo faz do sonho um barro ao qual a gente dá nova forma. Não tenho um ideal para atingir; pra mim me basta me sentir confortável debaixo da minha pele. Não o clímax irrepetível dos grandes acontecimentos, mas a coleção de pequenas e grandes alegrias. Um olhar tão intenso que se imprimiu no corpo indelevelmente. A mão que relembra o calor da primeira vez que procurou abrigo na do outro. Os ouvidos que ecoam o som da gargalhada distraída do filho assistindo TV. Chegar à noite e perceber que mais um dia passou, sem grandes sobressaltos, mas pleno da graça de termos sobrevivido juntos a ele. As alegrias espalhadas por dentro do corpo, bolhas frágeis de sabão, tão frágeis quanto a gente mesmo que dói e goza porque é de carne e osso. E a Fabiana completa, ainda, com palavras que eu poderia cantar, indefinidamente. Juro: "Estou me acostumando comigo/ revendo a casa, os vizinhos/ e os vazamentos e isso já não me assusta mais..." Não me assusta mais. Juro que não. February 26 contando semanas e saudadesé, 2009 tem se apresentado nesses combos. acho que daria pra dividi-lo por essas oito semanas que já passaram.
stress, planos, realizações, festas, desgraça, expectativa. teve a semana-mais-fantástica-de-que-tenho-recordação e teve a espera infinita.
pelo jeito, os dias continuarão a ser contados pelas semanas, que vou torcer pra que passem voando, de duas em duas, ou três em três, ou...
se alguém me dissesse, no fim de 2008, que 2009 começaria assim, tão intenso, eu não acreditava.
ainda bem que coisas inacreditáveis acontecem.
e... a partir de agora, as quintas-feiras são minhas terças-feiras. os dias D. são sim.
citando meu caro colega de trabalho Pablito, em sua última crônica:
A saudade em mim é feita tanta, tonta: ternuras. Travessia em mim, a saudade, caminho, derrama-se. As estrelas vêm iluminar-me o sentir, o sentido. O que escrevo, no entanto, quase não é vida - são somente palavras, poucas, pobres, e seus arranjos, desajeitadas combinações. E tudo o que digo talvez não cante como quero em ouvidos alheios. De meu, tudo o que mostro e tenho só tem sentido e rosto em mim. E de mim, depois. Depois? [Pablo Rodrigues, em Das coisas perdidas (e seus outros subtítulos)] February 10 sempre tem quem diga melhor que eudessa vez, foi a Fabiana. ela fala bonito, também.
e sobre esse assunto pertinente que são os serzinhos que a gente joga nessa vida louca. e na preocupação que também é minha, de até onde levar pela mão, e a partir de quando sentar e observar...
"E esse era outro assunto sobre o qual eu ia escrever: sobre a importância de, de vez em quando, ao invés de andar apenas para frente, andar pros lados, andar em círculos, andar de volta pra trás. Andar sem pressa. Sem preocupação excessiva com o rumo ou a chegada. Ia falar disso em relação à diferença que percebo no humor do Rô quando saímos correndo para ir à escola, meio no atropelo, no carro etc. em relação a quando vamos ou voltamos caminhando. Nós dois, de mãos dadas, prestando atenção ao trânsito, mas também às flores, às pedras, aos passarinhos. Voltando para rever algo que pareceu interessante... O tempo se distende, a gente se distende. Pronto. Uma bobagem assim e a vida ficou mais larga. Também tem outro sentido, tentar andar sem pressa. Na educação dos pequenos, andar sem pressa é não ter medo dos retornos e "recaídas", não achar que só porque os serzinhos alcançaram um degrau, têm que permanecer ali. É dar liberdade de ir e voltar. Porque eles crescem dando voltas em torno da gente, dando voltas cada vez maiores e longas - desde que tenham a certeza de que estamos ali, de que podem ir-voltar e nós vamos estar com os braços abertos." |
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